21 de fevereiro de 2008

uma manhã na polícia

para pedir um documento. Aliás, um número, que me permitirá ir buscar um documento. No primeiro sítio a que fui, a esquadra era uma casa do séc. XIX, sem um único aquecimento, uma "sala de espera" aberta à rua, o que já foram estuques nos tectos a cair, e o que já foi um soalho de madeira coberto com um linóleo a imitar tacos. No segundo sítio, o comando metropolitano, o edifício era mais antigo, e tinha sido alvo de uma recuperação "à arquitecto", com caixilharias em ferro, paredes de pedra expostas, e salas sem luz.
À entrada, dou o meu nome. O agente começa-se a rir de troça. "Na minha terra, isso é onde comem os porcos". Já sei, mas o que é que se pode fazer, já nasci Gamelas. "Pois, pois. Venha comigo até à Emilinha". Entro na sala da Emilinha, que está ao computador e onde estão mais quatro agentes, também ao computador, todos de casaco, e um quinto a uma mesa cheia de papéis. Outro agente, diz-me que entre e espere. Mas não há cadeiras, nem espaço, por isso fico ali à espera ao lado do pessoal a trabalhar. Finalmente dou o número do processo, para conseguir o documento. "Venha cá amanhã à tarde".

O que vale é que a maior parte dos polícias era simpática e prestável. Quanto a mim sabem bem que o sistema e o edifício são idiotas e disfuncionais, mas fazem o melhor possível dadas as circunstâncias. E isto para pedir um documento, se fosse uma coisa séria...

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